7 de maio de 2012

Falta Um Toque...

Falta um toque...
No celular um sinal de vida,
Mensagem, que faz o coração palpitar...
E diz o que se pensa, sente, deseja

Falta Um toque...
À noite quando ao deitar
Desejar boa noite, bons sonhos...
Ao acordar, ser surpreendido
E desejar um "Bom Dia Querida"
E, embora sem ver, deixar um brilho no olhar

Falta um toque...
De caprixo a vida nos aproxima,
De brinde, deixar fluir
Não um sentimento vago, alheio
Mas a essênssia do sentir a propria existência

Falta um toque...
Sentir na pele arrepios
O cheiro, calor, e desejo
O aperto de um abraço
A delicadeza das mãos
O olhar fulminante
A boca involuntaria roçando os lábios

Estou a um toque de você...

S2S2

4 de maio de 2012

Tempo & Ausência...


Hoje Senti, e
Como nunca, sei que me faz falta
Não apenas teu sorriso, tua voz, teu toque
Me perco, pensando como seria
Não ver teu rosto no pensamento
E Vejo quanto a saudade aumenta...

Não poder ver você, é simples

Ficar sem te encontrar, até suportaria

Ouvir tua voz e sentir teus carinhos

Ver o brilho do teu olhar...

São coisas que eventualmente me fazem falta...

Mas te perder de vista
Não saber notícias, nem desejar boa noite
Sem ter ideia de como foi teu dia
Se chorou ou se sorriu...
Ah...

Isso só intensifica a Saudade...
Eleva o sentimento de ausência ao Extremo!
Realmente...
Hoje Senti Como nunca,
E sei que me faz falta... :(



S2S2

2 de maio de 2012

Culpa-do-Amor

Quero eu um amor sem culpa
E por culpa do Amor tenho você
Que me deixou Mal ou
Bem-acostumado...
Me tornei dependente dos teus gestos de carinho.
Me lembro, e um sorriso de felicidade se abre...
Um mixto de carinho, amor e desejo...
Saudade, deliciosa saudade...

Quero estar junto, perto, imerso
Até me sentir parte de você,
Ser teu, estar em teu pensamento
Te encontrar por acaso
E poder te beijar ardentemente
Deixando extravasar o sentimento
Transbordar, o Amor...

Como posso não gostar de você?
Impossível não lembrar
É inevitável sentir tua falta
O pensamento involuntario projeta teu rosto
E o coração dilata em palpitações
Entre a saudade e o desejo

Assim, é o amor sem medo,
Sem limites nem imitações

S2S2

27 de abril de 2012

Sobre Vida e Amor

Sobre vida e amor,
Que sobre-viva o amor
Sobre-viver entre a razão e o coração
Que pulse o coração, com razão
Pois sem pulso, a vida para, morre murcha
E como sobre-viver o amor?

Se tenho in-pulso, é por você
Que seja, o desejo, o sonho, o sentimento
Sentido outro dia, intenso, imerso
Submerso no olhar de despedida
Na mão que se estende querendo não soltar
No olhar prolongado...

Que a alma cante Feliz
E o coração Pulse no in-pulso da vida
Que o sorriso expresse o que a alma deseja
E o desejo seja tão intenso quanto necessário
É viver ou viver sempre, para sempre
A co-existência dos sentimentos com-partilhados
Até que seja completo, completamente
Um só sentimento e sentido.

S2S2

25 de abril de 2012

Reflexos...


Meu coração bateu forte
Ao ver o brilho dos teus olhos
Refletindo meu olhar
Me vi amando cada gesto teu
Cada palavra dita, o jeito de brincar
O beijo quente as mãos macias e adoráveis
O toque, o gesto de carinho
O perfume delicioso e envolvente...
Tenho tudo impregnado em mim
Minha mente, pele e sentidos
Totalmente afetado pelo teu jeito
Doce, sensual e puro, de me fazer sorrir

S2S2 

23 de abril de 2012

Con-tudo...

Quero passar o tempo com você,
Mas não quero que o tempo passe
Quero parar, O tempo de sentir saudade

E...
Sentir, O tempo que tenho pra ficar ao teu lado
Matar, a solidão com teu sorriso
Acalantar a alma com teu abraço
... Saciar a sede com teus beijos
Viver, sonhando ou acordado
Mas viver intensamente cada segundo
Pois é o presente que tenho
Cada segundo, instantes raríssimos
Sem pressa, sem guerras, sem vazios
Totalmente preenchidos, inundados, saturados
Sem espaços para dúvidas, questionamentos ou porques
Sem demagogia ou explicações inuteis

Quero o tempo necessário, quanto tempo for
Para te amar com minha vida...

Con-tudo o que ela for,
Con-tudo o que ela puder ser,
Con-tudo o que ela ainda conseguir ser...
Mas que seja Plena, Longa, Feliz, Completa.
E que seja assim, ao teu lado.

S2S2

17 de abril de 2012

Necessidade...

Só sei que foi assim...
Sem planos, quando menos esperava
Você chegou, trouxe flores,
Perfumou minha vida,
Fazendo pulsar um coração inerte

Meu coração, não sei se bate ou apanha mas
A disritmia me diz que estou vivo, e
Vivo para o amor, aflora desejos
De estar perto, sentir, ouvir, tocar
Tua respiração, o brilho dos teus olhos
O riso da tua boca, o cheiro da tua pele...

Consegues despertar em mim todos os sentidos
E assim sinto intensamente a vida
Na amplitude da existência a necessidade
Não sofrida, não dolorosa, mas dócil e deliciosa
Necessidade de ter por perto e
Te Amar

S2S2

11 de abril de 2012

IFINITAMENTE MAIS...


Seja como for, onde for, que tempo passar
Somos mortais buscando o infinito
Sonhamos e não queremos acordar
Desejamos que seja...
Com a mesma intensidade que vivemos
Me perco tentando entender...
Mas sei que não vou entender nada
Então que sigamos...
Mesmo sem saber onde chegar
Porque isso é infinito, não ver o fim.
Poderia hoje dizer que te amo
E não estaria mentindo
Mas não é suficiente
Porque eu sei que posso fazer isto,
Te amar infinitamente mais
Seja como for, onde for, que tempo passar...
Te amar infinitamente mais
Porque eu sei que posso fazer isto,
Mas não é suficiente
E não estaria mentindo
Poderia hoje dizer que te amo
Porque isso é infinito, não ver o fim.
Mesmo sem saber onde chegar
 Então que sigamos...
Mas sei que não vou entender nada
Me perco tentando entender...
Com a mesma intensidade que vivemos
Desejamos que seja...
Sonhamos e não queremos acordar
Somos mortais buscando o infinito
Seja como for, onde for, que tempo passar

S2S2

6 de abril de 2012

PACTO

Com você quero fazer um pacto.
Que nossos defeitos sejam compreendidos mutuamente
Que nossos sonhos sejam compartilhados
Que falemos a verdade um ao outro sempre
E que o Amor seja nosso guia em tudo.


Que eventuais brigas nunca nos separem
E quando isso for acontecer
Que possamos começar com um beijo
Um doce e amoroso beijo
Que nosso coração bata no mesmo ritmo
E que as coisas simples da vida
Traga-nos o encantamento da eternidade

Que nosso sorriso seja espontâneo
E as lágrimas possam ser enxugadas
Por mãos delicadas
Que nunca faltem gestos de carinho
E que a felicidade seja nosso estilo de vida
E todos os dias aprendamos a descomplicar a vida

Que sejamos felizes, independente das circunstancias
Que distância nenhuma nos desligue a alma
Que sempre que pudermos, e que seja sempre,
Possamos estar juntos
E que nunca, Nunquinha, nos cansemos um do outro...



S2S2

4 de abril de 2012

Até o Próximo Encontro...

É mais forte do que eu
Sinto sem sentir, sem perceber penso,
Lembro, cada detalhe do olhar, maquiagem...
A cor, das unhas pele lábios
O penteado, o andar suave...

Me surpreendo com minhas lembranças
A riqueza dos detalhes fazem com que
Tudo pareça estar a minha frente sempre
E isto intensifica o desejo de estar perto
Aumenta a saudade...

O bem que me faz...
Sentir o que sinto
Supera a ausência, ameniza a solidão
Mas não acaba o desejo...
De te ver sorrindo, sentir o perfume
Sentir o toque, mesmo dos teus pés
Ivoluntarios, gestos de ternura...

E continuo sonhando assim,
Até o próximo encontro...
S2S2

2 de abril de 2012

Sonhando...



Você bem que poderia...
Dizer que é melhor não sorrir
Que nossos caminhos nunca se encontrarão
Que Esperanças não existem
Que sonhos sempre se tornam pesadelos....

Mas com você...
Os sonhos são intensos
O sorriso é expontâneo
Vejo um caminho cheio de flores
E a alma se enche de esperanças... 

Poderiamos seguir nossos caminhos,
Sem nos preocuparmos, sem lembrar
Sem ter que saber se um ou outro esta feliz ou não

Mas a mim importa...
Porque a tua Felicidade é meu bem-estar 
O teu Sorriso faz minha alegria
Tua Paz me acalma o coração

Assim é, sem explicação.
Porque as melhores coisas da vida dispensam explicações 
E as coisas imcompreensíveis podem ser perfeitamente aceitáveis...

S2S2

15 de março de 2012

Receita Para Fazer Poesia


Igredientes:
51 borboletas, bem coloridas... 
15 Gotas de orvalho destiladas de Violetas azuis
3 Pedras de diamante ainda aquecidas por um vulcão e,
5 Grãos de poeira de estrada.

Preparo:
Solte Cinquenta Borboletas ao mesmo tempo em um Jardim florido.
Siga cada uma delas sem perder de vista por cinco minutos, fazendo um risco cada vez que uma delas pousar em uma flor.
Em seguida transfira as cores da outra Borboleta que ficou para o papel
Acrescente as Gotas de Orvalho, reservando apenas uma
Triture os Diamantes e polvilhe sobre os rabiscos e a coloração
Em seguida misture os grãos de Poeira de Estrada.

Mexa tudo, até dar consistencia, leve ao sol durante duas horas Antes do amanhecer.
Decore com a Gota de Orvalho reservada.
(serve uma porção a cada leitura)

14 de março de 2012

Poesia, O dia da

Poesia,
Forma de vida imperfeita
Que no âmago das palavras se encrusta
E deslisa pelos dedos do poeta
caindo no coração incauto dos amantes.

Poesia,
Forma brutal de amar sem ser amado
In-Significante grito de almas penadas
Alçando ao mundo seu choro cantado
Debulhando vidas em estilhaços de granada

Poesia
Encantamento de Des-encantadores
Uma arma, uma flor, uma criança
Entrelaçando vidas, amordaçando amores
Sobrando alegria, sobepujando desejos

Paz
Onda
Esperança
Saliva
Inquietação
Amor


7 de março de 2012

eRa UmA vEz A MulHeR

"Era uma vez", assim começa todo conto de fadas, Toda história de princesa...
Geralmente uma história de sonhos e aventuras, culminando com um 'casamento feliz'
Celebrado na frase: "E viveram felizes para sempre"
Na vida real, Hoje, Conheço muitas Princesas e Rainhas.
Mulheres Lindas, Vencedoras, Que sonham, e Lutam para realizar seus sonhos.
São meninas moças e senhoras, comuns aos nossos olhos,
Mas que na verdade são Princesas e Rainhas, e, "Me desculpem os machões",
Governam nosso mundo.
Sim! Olhe ao redor e verás que tudo o que você faz, é, Foi, ou pretende ser,
De alguma forma depende de uma MULHER!
Desde o nascimento, cuidados maternos, alimentação roupa, por fim
A primeira namorada, casamento, filhas, netas, sobrinhas etc etc...
Elas são o que impulsionam a existência humana.
São cheias de sabores, e dis-sabores, causam êxtase ou náusea,
Mas sempre somos influenciados por uma duas três muitas MULHERES...
Para você mulher, que lê esse texto, deixo aqui o meu conto de FADAS:

"Era uma vez a mulher, ela tinha o sorriso mais enfeitiçador que já se viu.
Foi dada aos homens para que esses pudessem lembrar que a vida é feita de sorrisos,
mas que as lágrimas é que regam a felicidade.
Vivendo no Reino das contradições,
Tornam-se Princesas e Rainhas dos sonhos e desejos dos homens...
Muitos a substimam, e a imaginam fraca, confundem sensibilidade com fraqueza.
Mas ela mostra-se cada vez mais forte, decisiva, e indispensavel na existencia
Sem perder a graça da sensualidade e ternura.
Seu Reino encanta a todos, e, sem sabermos como nem porque
Sempre conseguem aquilo que querem. E, quando isso não acontece
Seu poder de Ira e Vingança é fatal.
A Mulher tem um Sonho. SER FELIZ.
E, para ela a felicidade vale mais que qualquer coisa.
Para algumas vale um cartão de crédito ilimitado
Para outras uma bela jóia,
Para algumas um simples sorriso,
Para outras um EU TE AMO...
Outras, não se sabe ainda o que as faria feliz. mas, é o sonho.
No Reino inteiro, não se encontrou um sábio
Que consiga interpretar todos os anseios e desejos desse ser Superior
Ninguém ainda conseguiu entender seus enigmas e mistérios.
Assim,
Feliz para sempre? Não sei, mas Simplesmente FELIZ!!!
Caminha(m) nossa(s) Princesa(s) e Rainha(s)... Tendo um Reino inteiro para explorar.
Seus súditos e vassalos, embora sempre questionem seus desejos
Estão prontos para atender cada pedido, ordem ou simples jesto.
E assim se Vive, desde que o mundo é mundo na Terra das Contradições, Onde Reinam
Nossa Eterna Soberana, a MULHER."

10 de fevereiro de 2012

Nota de Repúdio!

Quero Hoje Repudiar Meu Passado Mal Vivido!
 
REPÚDIO!
Aos amores não correspondidos
Os sorrisos negados, os carinhos rejeitados, o olhar frio...
O casamento fracassado, as brigas, xingões e bofetadas.
O ciúme doentio e destruidor das relações
O pedido de casamento não aceito
Os encontros moribundos com o passado doentio e mortífero
Os des-encontros, onde falamos de tudo menos do nosso futuro
REPÚDIO!
Aos olhares desviados, simplesmente pelo medo de se apaixonar
Os sorrisos trancados pelo medo de amar
Os carinhos negados por não querer desejar
Os desejos reprimidos pela incerteza do Amor
REPÚDIO!
Ao Amor platônico e masoquista
À Vida não vivida pela esperança da volta
A Esperança desesperada de que ainda existe esperança
Ao sentimento medíocre que prende e faz retroceder
...

10 de novembro de 2011

"Preciso Tanto Me Fazer Feliz"

A busca pela Felicidade move os corações.
Em muitos casos agimos e pensamos egoisticamente quando se trata de um bem tão precioso.
Afinal o que é Felicidade? Há quem diga que não existe caminho para a Felicidade, mas a Felicidade é o Caminho. Se assim for. Onde esse caminho nos levará?
"Preciso tanto me fazer feliz" é o que diz a Música "Como Vai Você" de Antônio Marcos e Mário Marcos. Esse sentimento quase que egoísta nos acomete quando nos vemos infelizes.
Porque somos infelizes, muitas vezes?  Seria por falta de Dinheiro? Amor? Casa? Saude? Carinho?
Seria por excesso de egoismo? Vaidade? Petulância?...
O que me faria feliz Hoje? Uma mulher? Um Homem? Um bom emprego? Muito Dinheiro? Uma Vitória do meu Time de futebol?
Penso EU que "Felicidade não é um estado de espírito, é questão de Ser ou Não Ser"
Podemos passar por Ns problemas e mesmo assim continuarmos feliz...
Acontece que associamos Felicidade a Alegria. E não é a mesma coisa...
A Alegria é momentânea.... A Felicidade é perene...
Podemos estar tristes mas sermos Felizes...
É possível uma pessoa ESTAR sempre alegre mas SER Infeliz
A Felicidade independe das circunstancias, dos altos e baixos da vida, da Grana ou do Emprego...
A Felicidade Está no teu coração. Não na Roupa, no estilo, na grife...
Está na Alma, não no corpo perfeito, na saúde impecável...
Felicidade Está no Espírito, mesmo às vezes abatido, mas pronto para dar um novo passo...
Enfim, Ser feliz nos deixa mais belos(as) "O coração alegre aformoseia o rosto" é o que diz Salomão em Prov. 15:13...
Seja Feliz!

6 de novembro de 2011

O Que Eu Quero...

O que eu quero é uma vida simples, sem as complicações dos adultos
Quero um olhar simples, sem os segredos obscuros da vida
Quero um sorriso simples, sem a malícia do engano
O que eu quero é viver, sem me culpar pelo passado
Quero caminhar, sem me preocupar com a próxima curva da estrada
O que eu quero é descobrir o que vem depois, e ficar surpreso
Quero me encantar com o desconhecido
O que eu quero é uma casa simples, mas toda decorada de aconchego
Quero uma família simples, mas repleta de compreensão
O que eu quero é um carro simples. Que me leve sempre para perto das pessoas
Quero um conhecimento simples, sem as complicações da ciência
O Que eu quero é um amor simples, que goste de como eu sou
Quero alguém simples, que suporte meus defeitos e que não esconda os seus
O que eu quero é um relacionamento simples,
Quero viver sem as complicações do ciúme e do sentimento de posse
O que eu quero é poder tomar um banho de chuva
Quero caminhar na areia molhada com os pés descalço
O que eu quero é viver a vida como ela é
Quero cantar, sorrir, chorar, gritar, sentir, amar, ter raiva, dar e receber carinho.
O que eu quero é uma vida simples

Quero apenas viver, nada mais que isso...





28 de outubro de 2011

Quando as Palavras se Vão...

Posso dizer mil palavras bonitas,
Apenas uma estraga tudo o que eu não disse. 
Posso me derramar em declarações ofegantes,
E em apenas um gesto borrar todo o esforço.
A arte de dizer não é a mesma arte de falar, e, como já dizia Salomão, o sábio
"No muito falar, não falta transgressão"...
Então como saber a hora de não falar? Ou como saber que as palavras não irão resolver?
Uma canção cantada na igreja há muitos anos diz: "Há momentos que as palavras não resolvem..." Qual seria esse momento?
Acredito eu, que não existe uma regra geral para isto. 
Cada um de nós deve ter a sensibilidade de saber quando o falar não resolve mais.
E, essa decisão precisa ser percebida e respeitada pelo outro.
Nesses momentos,
Quando as palavras se vão, os gestos dizem, eles expressam o que mil palavras não conseguiram dizer.
Quando as palavras se vão, uma expressão no rosto, implora perdão. um sorriso demonstra compreensão e aceitação, e apenas um gesto de carinho revela o mais puro Amor.
Quando elas se vão, não restam mais dolo, engano, mentiras e falsidade.
A vida mostra aquilo que se tentou dizer durante anos de falatório.
Quando as palavras se vão resta a certeza daquilo que não pode ser dito, daquilo que não adiantou dizer.
Quando as palavras se vão restam 
O Olhar, O Sorriso, O gesto, A Essência...

20 de outubro de 2011

O Beijo


Tudo parecia muito bom, estava muito perfeito, o ambiente, o clima, os olhares as conversas, as confidências.
Em uma noite escura e sombria, os dois caminhavam juntos. Não se tocavam, braços estendidos, casacos de frio, gorro na cabeça. A rua deserta era convidativa para longas caminhadas sem destino.
As conversas variavam de coisas corriqueiras do dia-a-dia a coisas obscuras como vampirismo e até sexo. Os passos na rua gelada podiam ser ouvidos de longe. Vez em quando se olham rapidamente. Os olhares fulminantes não conseguem se fixarem. Talvez pela timidez talvez pela extrema incerteza que permeava os corações. Sabiam que estavam juntos por algum motivo, mas o medo de errar, de cometerem loucuras os deixavam receosos de qualquer ação mais direta e íntima.
Caminharam até a casa dela. Uma grande casa com janelas de vidro. Apenas uma luz acesa numa pequena janela no alto. Ficaram algum tempo parados em frente, tempo demais para o momento, e pouco tempo para o que desejavam. Falaram sobre o tempo gelado, tentaram prever como estaria o dia seguinte. Mais um tempo em silêncio.
Despedem-se com um rápido beijo no rosto. Ela entra e ele caminha só pela rua escura e gelada. Some no nevoeiro. Após entrar ela se despe. Veste o roupão de dormir e se deita. Não consegue dormir. Fica com os olhos vidrados no teto escuro. O vento la fora uiva nas janelas e nos fios da rede elétrica. Ela pega o telefone. Vê as horas. São 00:40. Será que ele vai ligar? Pergunta-se em mente.
Ele caminha pelas ruas. Está pensando se vai para casa ou se caminha um pouco mais pelas ruas desertas. Aqui e acolá um mendigo enrolado em panos e papelões ocupam a calçada, forçando-o a ir para o meio da rua. Vez em quando um carro com faróis altos passa a disparada, não respeitam sinais nesses horários.
Pequenas corujas cantam nas árvores urbanas. Aqui e ali um gato atravessa a rua, um cão late avançando nos portões. Ele com as mãos atoladas nos bolsos do casaco caminha despreocupadamente. O chapéu na cabeça proteje do vento o couro cabeludo.
Alguém do outro lado da rua passa encarando. Parece assutado. Logo o reconhece por causa do chapéu, cumprimenta e segue. Por volta das 01:00 chega em casa. Quando se aproxima do portão um carro encosta rapidamente. Encoste no muro! Gritam. São policiais. Pensaram que era um usuário que estaria invadindo a casa. Ele explica que mora na casa. Mostra as chaves e chega a abrir a porta para que o deixem em paz.
Entra e fecha a porta. Está exausto, caminhara bastante, mais do que o de costume. Não tem sono, não quer se deitar, mas não restam opções, pois na TV nada presta, não tem internet para navegar, não ta com cabeça pra ler. Deita-se e espera o sono vir.
Pega o telefone, uma ligação perdida. Retorna, ela atende. A voz rouca indica a sonolência. Ainda acordada? Sim. Você demorou ligar. Acabei de chegar.
A conversa se estende pela madrugada. O assunto parece nunca acabar. Minutos de silêncio indicam que ela já adormeceu ao telefone. Chama, ela não responde, então desliga. Haviam conversado por três horas seguidas.
Sente sono fecha os olhos. Não adormece. Um vento gelado invade o quarto, mais gelado que o comum, mais frio do que a noite lá fora. Podia sentir em cada poro, como partículas de gelo sobre o corpo todo. Tem a sensação de que o cobertor está molhado. Retira-o completamente e percebe que a temperatura não muda por causa disso.
Pensa em abrir os olhos e fá-lo vagarosamente. Ve uma pessoa ao lado da cama. Ela está deslumbrantemente vestida de um longo vestido branco com estampas florais retas. A pele branca reflete cristais. Ela toca-o com carinho. Ele sente a mão gelada e estremece com as sensações. Ela parece flutuar, e em seguida começa a deitar-se sobre ele. Estático e confuso ele fita-lhe os olhos serenos e meigos. Enquanto ela se deita, o gelo toma conta do seu corpo. Tudo em volta está gelado, os lábios entreabertos espera pelos lábios dela que descem vagarosamente. Ele relaxa e sente sensações nunca antes vividas. Os lábios tocam nos seus que estão latejantes de desejo. De súbito ela deslisa até seu pescoço, sente algo morno escorrendo. Não se lembra de mais nada. 
Amanhece. No banho tem sensações estranhas. Olha-se no espelho. No pescoço dois pequenos furos. 
Teme a luz do sol. Espera a noite para sair.



28 de setembro de 2011

O Julgamento

Após a sentença a última coisa que se ouviria seria o som do martelo e então tudo estaria acabado. O acusado em sua cadeira era o centro das atenções. O jurado eram olhos e bocas, enquanto aqueles estavam fixos no acusado, essas murmuravam entre si. O juiz era invisível, mas podia-se ouvir perfeitamente sua voz grave que fazia abalar as estruturas de qualquer acusado e até dos jurados. A promotora de (in)justiça era a única perfeitamente visível. Vestida a caráter para a ocasião, afinal o acusado não era qualquer um. Com um vestido longo e todo preto profundamente decotado, um, sobretudo aveludado, maquiagem escura e um salto alto finíssimo, andava de um lado para outro, fazendo soar o barulho do salto no piso a cada passo.
Ele, o acusado, observa atentamente, cada passo seu, acompanha com os olhos arregalados cada movimento da mulher. Até se esquece dos olhos e bocas que o conjuram, nem ouve a voz grave e estarrecedora do juiz. A voz daquela criatura ainda esta em sua mente continuamente. As acusações são tão absurdas que ele não consegue parar de ouvi-las. Os quarenta minutos que antecederam aquele momento foram os mais longos da sua vida. Cada palavra, cada gesto, cada olhar, havia deixado nele impressões devastadoras. Não conseguia pensar em nada, visualizar nada. Tão atordoado estava.
Todas as acusações eram falsas, ou quando não, inacreditavelmente absurdas, não podia ser. As provas mostravam que ele não havia cometido nenhum daqueles crimes. Durante anos fizera tudo o que esperavam, cuidara de cada detalhe e era fiel em seus compromissos, mas agora estava lá, sendo julgado pelo que não fizera. Deveria ter feito, não deveria ter sido quem era, era bom demais para estar vivo.
Já havia pensado antes em se matar e deixar um testamento pedindo para ser cremado e que suas cinzas fossem depositadas em uma caixinha que pudesse ser levada pra qualquer lugar. Assim, ela poderia sempre tê-lo por perto, sempre saber onde ele estava e monitorar todos os seus movimentos, se é que ele pudesse se mover nessa forma. Estaria ainda sempre à disposição dela, nunca olharia pra ninguém e seria totalmente dela, e não mais passaria pelos vexames e humilhações pelas quais passara até então.
Mas agora era tarde demais, já estava em julgamento e sair dali pra resolver de outra forma era impossível. Os minutos se passavam vagarosamente, cada palavra parecia ser dita em câmara lenta. A voz do juiz soa surdamente em seus ouvidos enquanto ele com os olhos estatelados olha fixamente para a mulher que está à sua frente. Ela espera ansiosamente a decisão judicial, caminhando sempre de um lado para outro, às vezes olha para o acusado com um olhar fulminante, este não consegue desviar os olhos dela. Era o que conseguia fazer pra se manter de pé. Os olhos e bocas juramenteiros estavam ainda na mesma ação, como se quisessem arrancar da sua alma alguma confissão algo que confirmasse as acusações, o murmúrio continuava, ponderando se as acusações eram ou não verdadeiras, ou pelo menos cabíveis a ele.
Era acusado de muitas coisas, entre elas traição, fornicação, pedofilia, tendência a divórcio, etc. Adultério até onde sabia não era crime, não cabia então ser julgado e condenado por isso, fornicação também não era considerado crime, pedofilia sim, mas era impossível condená-lo por isso, ela sabia disso, mais que ninguém, sabia que ele não havia cometido tal torpeza, e a última era inacreditável. Tendência a divórcio? É claro que ele teria! Quem não tem? As reivindicações eram mais absurdas ainda. Seria absolvido de todas as acusações se abandonasse a idéia de se divorciar. Não acreditava nessa condição, pois sabia que isso não mudaria nada. O suplício continuaria. Para ele era a única forma de se resolver as coisas, além da morte, é claro, assim as brigas, acusações discussões, agressões desrespeito etc. acabariam, pois não estariam mais tão próximos.
O som do martelo do juiz interrompe os pensamentos, os olhos arregalados agora se desprendem da criatura de salto alto e se voltam na direção da voz grave e estarrecedora. Os olhos do jurado, ainda fixos nele, como que esperando qualquer reação comprometedora. As bocas se calam. O juiz começa um pronunciamento de poucas palavras.
Acusado ponha-se de pé! Ele relutante se levanta. O que se ouve a seguir é a sentença final do juiz:
O Sr damu alamini está sendo acusado...
Não ouve mais a voz do Juiz, sabia cada palavra que se seguiria. Os pensamentos divagam sobre muitas coisas, passa em sua mente como que um filme dos últimos cinco anos de sua vida. Cada detalhe é nítido, como se fosse um flashback dos melhores piores momentos. As cenas passam aceleradas. O casamento, os filhos, as brincadeiras, a casa, o quintal, a bicicleta, a vida, as lágrimas, os risos, as brigas e bofetões. Tudo está sendo projetado em sua mente em poucos segundos.
O martelo do juiz soa novamente. Ele se assusta. Olha ao redor, não vê ninguém. Está na sala de estar da casa, totalmente vazia. Levanta-se da cadeira onde estivera. Olha no relógio, estivera sentado por cinco minutos. Pega a bolsa com as roupas, lança o último olhar pela casa, despede-se e sai, prometendo devolver a bolsa no dia seguinte.
...
Está se divorciando.

Péricles